• Fake news na campanha eleitoral:

    formas de abordar

    Bússola Campanhas - Eleições 2020

  • As fake news estão no centro do debate eleitoral de 2020, e preocupam as autoridades eleitorais, candidaturas e cidadãos. Este fenômeno pode parecer um produto da revolução digital, porém estamos falando de algo que esteve presente em toda a história humana. O uso de processos de desinformação podem ser encontrados por todo o curso da história, o que mudou foram os meios de propagação.

     

    A sociedade mudou a forma que consome informações. Se antes era preciso ir até a banca de jornal, ou assistir um jornal televisivo, ou mesmo ouvir a rádio, hoje todas e todos podem acessar conteúdo na palma de suas mãos, através de seus smartphones. Acessamos tanto informações que vem de fontes jornalísticas, com processos claros de checagem e de escrita, assim como recebemos links de mídias sociais, memes, vídeos e mensagens em aplicações de troca de mensagens. Isso acontece por alguns fatos, como a abertura do espaço de produção de conteúdo proporcionado pela ampliação do acesso à internet, ou seja, se antes era preciso ir até o editor do jornal para pedir a publicação de um determinado conteúdo, agora é possível distribuir esse conteúdo por um vídeo no YouTube, um texto no Medium, uma mensagem rápida no Twitter, ou mesmo um meme pelo WhatsApp. O acesso a internet proporcionou novos espaços onde as pessoas podem consumir conteúdo e também produzi-los, porém nem sempre com a preocupação com os processos jornalísticos de checagem dos fatos.

     

    Por que a checagem dos fatos é tão importante? Este é o processo onde o jornalista investiga o ocorrido, analisando documentos e dados, realizando entrevistas com pessoas que entenderam o evento de formas conflitantes, olhando para fatos históricos, dentre outros. Isso é importante para distanciar o jornalista de sua opinião pessoal e aproximar o que escrever ou fala ao máximo da realidade, para que os consumidores possam tirar as suas conclusões e formar as suas opiniões.

     

    Os processos de desinformação, popularmente chamados de fake news, podem ser percebidos como disseminação de boatos, propagandas camuflada de notícia, conteúdo fora de contexto, fatos distorcidos, ou imprecisão jornalística em suas demais facetas. Aqui é importante ressaltar a diferença entre notícias devidamente checadas que por ventura desagradam aquele que as recebe, de um conteúdo que visa desinformar. A consolidação de uma opinião em um ambiente republicano e democrático saudável requer a formação da opinião sobre fatos consolidados a partir de padrões éticos e de processos jornalísticos previsíveis.

     

    Durante as eleições, em especial as eleições municipais, é notável a propagação de desinformação na forma de boatos sobre aspectos da esfera pessoal das candidaturas, enquanto em eleições gerais a desinformação, na forma de boatos, propagandas maliciosas, difamação dentre outros, são focados na agenda e propostas de grupos políticos. Novamente, não estamos falando de um fenômeno novo. A conhecida boataria que antes era propagada através de materiais gráficos, e em conversas em grupos sociais limitados, agora ganha a capacidade de atingir um número muito maior de pessoas, a um custo financeiro e de tempo muito menor.

     

    Estes processos de desinformação tem como objetivo induzir o eleitor ao erro na escolha de seu voto, seja atacando candidaturas adversárias, seja defendendo a própria candidatura.

     

    Às candidaturas que buscam dirimir os efeitos da desinformação com relação à suas campanhas, temos alguns pontos importantes a abordar.

    • Esteja sempre presente nas mídias sociais, ou no espaço de atuação social que esteja o seu foco eleitoral. Quanto mais presente e transparente for a sua candidatura, menor a chance de uma campanha de desinformação ser bem sucedida. A presença de informação de qualidade sobre a candidatura nas mãos do eleitor e diminui a aderência do conteúdo mentiroso. A candidatura pode estruturar respostas que mostrem a incoerência do que foi publicado, sempre buscando informar o eleitor.
    • A candidatura pode pedir a remoção do conteúdo das redes sociais. As candidaturas podem pedir a remoção do conteúdo através de dois caminhos diferentes: 

    I) através dos canais de atendimento das redes sociais, caso o conteúdo contradiza os termos de uso da plataforma (por exemplo: conteúdo com violência explícita, conteúdo de teor pornográfico, discurso de ódio);

    II) através do Tribunal Superior Eleitoral, por intermédio de um advogado. A justiça eleitoral avalia os casos com rapidez e pode pedir a remoção do conteúdo no prazo de 48h e a identificação dos autores para possíveis penalidades. Vale notar que a remoção do conteúdo via judicial, é necessário providenciar as URL do conteúdo, ou seja o endereço eletrônico. Note que é prática comum a propagação do conteúdo cuja remoção foi pedida em diferentes URLs, dificultando a remoção por completo.

     

    • A outra opção é não fazer nada. Sim, você leu corretamente. Em alguns casos, a propagação do conteúdo não ganhou tração e foi notado por poucas pessoas, mas pode ser levado à luz quando a candidatura alvo da campanha decide responder, esse é o efeito Barbra Streisand. Em resumo, a atriz pediu a remoção de um conteúdo que tinha sido visto por apenas 6 pessoas, e em razão do processo judicial, o conteúdo foi noticiado e visto por quase meio milhão de pessoas. 

     

    As candidaturas têm um papel essencial na qualidade da informação das eleições de 2020, em não produzir ou propagar desinformação aos seus eleitores, assim como preparar a sua defesa em caso de ataque, sempre considerando abordagens de contestação do conteúdo, de pedidos de remoção e responsabilização, ou mesmo de não responder. É fundamental que as candidaturas pensem no tema de forma estratégica, uma vez que essa decisão pode ter profundo impacto no resultado final.

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